A escola é um espaço que organiza e planeja o caminho do tempo em seus processos cotidianos, ou seja, todo o tempo da escola é pautado para o desenvolvimento formativo de sua comunidade educativa (estudantes, professores, famílias, diretor, secretária, zeladores etc.).
Este tempo não pode ser medido restritamente pelo grau de importância, até porque, todo o tempo que é pensado pela escola está comprometida em promover um ser humano de consciência política e ambiental, empoderado, justo, solidário, crítico e defensor na promoção de uma cultura de paz, na formação do humanismo solidário e de um diálogo que valoriza e potencializa as diferenças.
Esse caminho é um processo que exige a necessidade de estabelecermos no chão da escola, o contexto que valorize nos conjuntos de suas ações uma participação coletiva e uma pausa planejada e intencional, como bem evidência Heloisa Luck “a participação que se fecha em si mesma constitui ativismo. A participação que se espraia por todas as dimensões do processo social, na intenção de enriquecê-la, constitui-se em transformação” essa visão facilita pensar na organização no tempo da escola, um planejamento que seja capaz de criar diálogo coletivo e responsável com os processos pedagógicos, para assim favorecer as melhoras possibilidades de prática e metodologia no percurso de aprendizagem de nossos estudantes. O planejamento dos processos escolares devem ser uma ação indispensável na rotina das equipes.
Porque sabemos que todas ações educativas na escola não podem ser executadas sem antes ter esse espaço sistemático para desenvolver um tempo para pensar, investigar, discutir, analisar, contextualizar e confrontar as futuras perspectivas de colaboração formativa no desenvolvimento integral dos estudantes.
O desafio de hoje é saber como podemos avançar na administração do tempo com as exigências do chão da escola para evitar situações que não são potencializadoras da aprendizagem humano nesta trajetória de formação dos estudantes e da comunidade aprendente. Porque um tempo não pensado na gestão do ambiente educativo fará com que as práticas de aprendizagens fiquem inadequadas, infecundas e vulneráveis às situações improvisadas, causando um contexto de déficit de aprendizagem integral nos processos formativos da escola.
Com isso, o nosso ponto de atenção e de provocação é sobre a existência de discursos e opiniões que são plantados e defendidos em nosso ambiente educativo em que o tempo para as atividades pastorais são percebidas e consideradas como “perda de tempo” “são atividades improvisadas” “são desconexas da prática educativa” “A oração deve durar apenas cinco minutos” “Hoje tem avaliação não pode ter oração” “Este encontro da pastoral tem que ser rápido” “Demora demais o momento pastoral” “Acredito que não dará tempo dar minha aula” “Esta proposta da pastoral não fala da realidade do aluno” É muita reza nessa escola.” Estes posicionamentos são diagnósticos de que ainda repercutem no processo de formação pastoral, a ausência desta consciência evangelizadora nos itinerários de aprendizagens que acontecem no cotidiano da comunidade escolar.
Para progredir de uma forma em que os processos pastorais sejam considerados relevantes na gestão do tempo em uma Escola Confessional é preciso reconhecer que todas as situações pastorais não podem ser vistas como uma ação descontextualizada e isolada da prática pedagógica.
Por isso toda ação pastoral exige no percurso de sua rotina um tempo de planejamento com as equipes que são estratégicas na unidade para ampliar essa consciência de corresponsabilidade na missão institucional. Este espaço de construção coletiva, elas são estratégicas e propiciadoras também de estabelecer a circunstância formativa dos seus pares para suplantar a ideia de que o tempo usado para ações pastorais não sejam percebidas como um campo de execução sem sentido e as interpelações de Agenor Brighenti nos faz compreender que “um processo de planejamento participativo só poderá avançar no clima de um diálogo maduro que incentiva a colaboração de todos no ambiente que reconhece a força transformadora de uma cultura de encontro que inclui e valoriza o espírito coletivo.”
A dimensão pastoral na gestão do tempo da escola não pode ser considerada uma proposta desvinculada dos caminhos formativos da comunidade aprendente. Em razão disso, é urgente pensar o tempo da ação evangelizadora como situação que potencializa a formação integral dos estudantes e como também fortalece o comprometimento da comunidade educativa em testemunhar o legado de sua missão institucional.
Outro equívoco que precisa ser refletido no caminho de mudança de mentalidade nos diálogos formativos na ambiência educacional é quando o tempo das ações pastorais são designadas nas “urgências pedagógicas” quando se tem a ausência de um professor, aquele tempo acaba sendo utilizado como uma finalidade desviante da intencionalidade pastoral, ou seja, transforma-se mais no tempo de “ocupação de espaço” porque não desenvolve uma ação qualitativa e um processo sólido da formação pastoral com aquela situação favorável para o desenvolvimento da aprendizagem integral.
É necessário descontruir a limitação das ações pastorais no tempo formativo da escola. Tão tendencioso enxergar na rotina da escola que a evidência pastoral só pode ser destinada em ocasiões em que seu principal foco são vivências religiosas. A ação pastoral percebida a partir deste espectro inviabiliza a construção de um processo que seja capaz de permear tudo o que acontece na escola. Não é possível que o tempo da recreio seja usado apenas como único e adequado espaço para desenvolver a experiência de missão na escola confessional. Se outros tempos organizados na escola não faz parte do planejamento das ações pastorais estamos se descomprometendo com as futuras possibilidades que outros caminhos podem favorecer na construção de uma pastoral mais participativa e acessível no ambiente da escola.
O que ainda dificulta a manutenção deste pensamento incompatível em relação ao compromisso pastoral no tempo formativo da escola é entender e julgar que olhar e o saber pastoral não pode ser uma situação de aprendizagem, isso pode ser provocado pela ausência de caminhos formativos que ampliam essa ideia de que não existe vínculo com os saberes sistematizados da humanidade.
Portanto, precisamos desmistificar as concepções errôneas sobre o tempo formativo que a dimensão pastoral efetiva na construção da educação integral. Pensar caminhos exigirá que todos tenham a responsabilidade de assumir com clareza que o processo pastoral está fundamentado na pedagogia de Jesus, o nosso mestre. O Seu estilo educativo foi focado em dialogar com as diferenças, de denunciar as situações de desfavorecimentos da prática acolhedora e amorosa, pela escuta empática aos invisibilizados pela sociedade e o principal ensinamento assumido no tempo de sua missão foi que Ele nos ensinou e formou pelo exemplo. Essa forma como Jesus dedicou o seu tempo para situações das pessoas deve ser o núcleo da dimensão pastoral nos processos de aprendizagem no dia a dia da Escola Confessional.

