Livro -Evangelização com as infâncias no Brasil Marista

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Livro -Evangelização com as infâncias no Brasil Marista

A presença Marista está difundida pelo Brasil de modo que abarca uma imensa gama de realidades e contextos, o que faz com que as experiências de evangelização com as infâncias se deem de acordo com cada território em uma múltipla e criativa atuação, porém, garantindo que haja um modo educativo-evangelizador Marista próprio. Por isso, atendendo aos apelos do XXI Capítulo Geral dos Irmãos Maristas das Escolas, acontecido em Roma, em 2009; e às necessidades provinciais de alinhamento de processos, tendo como referência primeira o documento “Diretrizes para a Ação Evangelizadora para o Brasil Marista” (2013). 

Documento redigido pela União Marista do Brasil (UMBRASIL) em 2016, fruto de um longo trabalho realizado por pelo Grupo de Trabalho “Evangelização com as Infâncias” da Comissão de Evangelização, contendo representantes das três Províncias Maristas no Brasil.

Com a proposta de buscar novas e criativas formas de vivenciar uma educação evangelizadora, promotora e defensora dos direitos das crianças, a publicação possui três grandes partes: Conceitos e contextos; A educação evangelizadora e o espaçotempo da infância; Posicionamentos institucionais para a educação evangelizadora nos espaçotempos das infâncias. 

No Primeiro capítulo, há uma busca por apresentar o contexto das infâncias para “ver o mundo com os olhos das crianças”, entendendo-as como sujeitos de direito e lugar teológico, numa caracterização multidisciplinar dos termos e conceitos que hoje se utiliza para tratar das infâncias a partir de uma compreensão construída historicamente. 

Este capítulo explora bastante os inúmeros referencias teóricos que exploraram em suas pesquisas a criança e o seu modo de ser e estar no mundo, buscando uma compreensão global, mas que ressalve a necessidade do olhar particular para cada sujeito, garantindo que a práxis educativo-evangelizadora seja criativa ao olhar os sujeitos em suas particularidades, potencialidades e desejos. Faz ver, também, que o espaçotempo das infâncias é o lugar propício para a Revelação de Deus e para a experiência desta Revelação. A criança é lugar teológico, ou seja, Deus aí se dá a conhecer e se deixa experimentar, numa relação muito própria e particular, que fala ao coração infantil. E, por isso, Marcelino Champagnat, fundador do Instituto Marista, tinha especial atenção pastoral com as crianças, indicando que “para bem educá-las é necessário, antes de tudo, amá-las”. 

O capítulo seguinte, a partir do direito à educação, que deve ser universal, se desenrola um aprofundamento da relação estabelecida entre a educação e a evangelização, binômio indissociável em uma escola católica de tradição Marista, principalmente, porque entende que este trabalho passa, principalmente, por um currículo humanizador e que garanta direitos. E segundo o documento “a educação evangelizadora se concretiza na medida em que se torna uma ação organizada e efetiva, intrínseca e articulada nas quais os aspectos pastorais, pedagógicos e administrativos se complementam e se fortalecem” (p. 60).

No terceiro e último capítulo são apresentados os dez posicionamentos institucionais que devem garantir a educação evangelizadora das infâncias em sua interrelação: Testemunho como Princípio da Ação Evangelizadora com As Infâncias; Princípio da Missão Marista; Sistematização de Processos; Articulação e Diálogo; Formação Continuada e Acompanhamento; Encantamento e Seguimento da Pessoa de Jesus e seu Projeto; Participação na Missão Eclesial; Abertura ao Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso; Promoção e Defesa dos Direitos das Crianças; Inteireza da Criança nos Espaçotempos da Educação Evangelizadora. Sem esses elementos, talvez não fosse possível uma tomada de decisão em direção a uma Evangelização com as infâncias, porque desconsideraria o seu protagonismo e se transformaria em um “fazer para”, que reifica e não emancipa, aprofundando, sobretudo que a Evangelização é um processo comunitário, por isso, toda a comunidade educativa deve se sentir pertencente e participante, embora as protagonistas da ação sejam as crianças. 

O documento é assim bastante suscinto, embora não seja negligente como nenhuma das dimensões a se considerar sobre tema tão complexo, por isso realiza o que se propõe, ou seja, olhar com atenção para os espaçotempos das crianças, para perfazer caminhos evangelizadores, de modo que sejam mais adequados às peculiaridades das infâncias e, assim, garantir que a elas seja oferecida uma educação evangelizadora, possibilitando seu protagonismo na ação, que é seu direito. 
Por – Gustavo Luís Prado Ribeiro, Agente de Pastoral, Colégio Santo Agostinho, Nova Lima/MG. Bacharel em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino, Belo Horizonte/MG; bacharelando em Psicologia pelo Centro Universitário UNA, Belo Horizonte/MG; licenciando em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano; pós-graduando em Gestão Escolar pela Centro Universitário Leonardo Da Vinci, São José/SC. gustavopradoribeiro@gmail.com

Autoria:

Gustavo Luís Prado Ribeiro

Agente de Pastoral, Colégio Santo Agostinho, Nova Lima/MG. Bacharel em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino, Belo Horizonte/MG; bacharelando em Psicologia pelo Centro Universitário UNA, Belo Horizonte/MG; licenciando em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano; pós-graduando em Gestão Escolar pela Centro Universitário Leonardo Da Vinci, São José/SC