ESG (E = Environmental), sociais (S = Social) e de governança (G = Governance), ou então, ASG (Ambiental, Social e Governança) é um princípio sistematizado que integra fatores ambientais, sociais e governamentais (T. Li; D. Wang; T. Sueyoshi; K. Wang. 2021). Em resumo, o princípio ESG está estruturado sobre os impactos ambientais positivos e negativos no desenvolvimento financeiro ou na solvência de uma entidade (instituição), estado soberano ou indivíduo.
Aplicado à realidade confessional da gestão em nossas Mantenedoras, Redes e Escolas, os fatores ambientais (E), sociais (S) e de governança (G) ajudam a medir a sustentabilidade e o impacto social de nossa participação ativa no cuidado com a Casa Comum, se aplica, ainda, na perenidade missionária e teológica da solvência de nossa capacidade institucional em manter-se atuante e honrar nossos compromissos nos contextos mais variados e, até mesmo, adversos. Um verdadeiro apoio ao apelo sinodal de nosso tempo.
A sinodalidade, como sabemos, nos inspira a uma experiência fraterna, não a uma proposta romantizada e utópica, isso seria medíocre. A sinodalidade proposta pela Igreja nos convida a caminhar juntos, tanto entre irmãos de fé, quanto entre aqueles que não professam a fé, uma proposta fraterna e amigável, lembrando a Campanha da Fraternidade deste ano (Mt 23,8), como irmãos que residem na mesma Casa Comum, nosso Planeta. Em ambos os casos a necessidade antropológica se manifesta e pode ser enriquecida com a teologia e os próprios princípios ESG.
Em termos práticos, convidamos a observar as métricas dos pilares ESG. Trabalhadas de forma interdisciplinar elas poderão apoiar os objetivos sustentáveis da gestão. Vamos então conhecê-las:
- Os princípios ambientais (E) medem a emissão dos gases de efeito estufa, o consumo de energia, o uso dos recursos naturais, a gestão de resíduos, os impactos e dependências da biodiversidade e dos ecossistemas, a inovação em produtos e serviços ecológicos;
- Os princípios sociais (S) medem as discriminações, as oportunidades, os impactos do empobrecimento na sociedade, a gestão da cadeia de abastecimento, a educação, o trabalho, a saúde e a segurança;
- Os princípios de governança (G) medem os códigos de conduta, os princípios empresariais, as responsabilidades, a transparência, o direito e até mesmo subornos e corrupções.
As métricas ESG estão em sintonia com os apelos de S.S. o Papa Francisco para o cuidado com o meio ambiente (Laudato Si 2015; Laudate Deum 2023) e com os compromissos 6 e 7 do Pacto Educativo Global de “renovar a política, a economia e cuidar da Casa Comum.
A sinergia entre os propósitos do Papa Francisco com os princípios ESG contribui para o desenvolvimento sustentável da gestão de nossas Mantenedoras, Redes e Escolas Católicas sem, contudo, se fechar em mera iniciativa da Igreja e empresas modernas, mas, aberta à toda Comunidade Humana, responsável pelo cuidado zeloso com todos os seres (Gn 1,28; 2,15; Dt 15,4; Jo 34,13) da Casa Comum. Nas palavras do Santo Padre: “De fato, nós e todos os seres do universo, criados pelo mesmo Pai, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, uma comunhão sublime que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde” (Laudate Deum 67).
Nosso modelo de desenvolvimento ambiental, social e governamental precisa mudar e, nossas Comunidades Educativas, em todas as partes do mundo, são lugares também propícios para esta mudança significativa. Nelas, formamos as pessoas das gerações futuras. A atual conjuntura nos alerta a buscar um novo início que, para nós cristãos, se dá em Jesus Cristo. Ele que ao morrer derrotou a cultura de morte, fruto do pecado e, ao ressuscitar, restaurou toda a vida (Prefácio da Páscoa I).
Gerir as Mantenedoras, Redes e Escolas Católicas, além das exigências triviais, exige esta ressurreição. “É necessário nascer de novo” (Jo 3,1-18). Em termos práticos, revisar as estratégias, as parcerias e os parceiros, o carisma fundante, os compromissos institucionais e, ainda, cuidar para não se sujar com o “esterco do diabo” (Papa Francisco), permitir se maravilhar novamente com a beleza da Alegria do Evangelho. O dia a dia na gestão pode nos tentar ao isolamento nos escritórios e planilhas, ao descuido com as vidas que também gerimos, a desviar o olhar de contemplar a criação de Deus “[…] há um mistério a contemplar numa folha, numa vereda, no orvalho, no rosto do pobre (Laudato Si 40). O mundo canta um Amor infinito, como não cuidar dele?” (Laudate Deum 65).
Referência Bibliográfica
FRANCISCO, PP. Carta Encíclica Laudato Si. Disponível em: <https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html> Acesso em:
FRANCISCO, PP. Exortação Apostólica Laudate Deum. Disponível em: <https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/20231004-laudate-deum.html> Acesso em: 07.03.2024.
PACTO EDUCATIVO GLOBAL. Vedemecum. Disponível em:<https://www.educationglobalcompact.org/resources/Risorse/instrumentum-laboris-pt.pdf> Acesso em: 07.03.2024.
LI, T. WANG, K. SUEYOSHI, T. WANG, D. ESG: Research Progress and Future Prospects. Disponível em: <https://www.mdpi.com/2071-1050/13/21/11663/xml> Acesso em: 07.03.2024.

