Inicialmente, recordamos que falamos e ouvimos a partir de um lugar social, situados como educadores no chão da escola, da sala de aula, da coordenação, da Pastoral da Educação das Dioceses e Regionais. Reconhecemos que a Pastoral está intrinsicamente ligada ao Pastor, ao pastoreio daquele que cuida, defende e protege. O Bom Pastor é Jesus e, é na experiência pessoal com Ele que buscamos a força e o dinamismo necessário para a missão.
Missão essa, realizada em uma sociedade caracterizada dentre outras, pela mudança, pela velocidade e pela diversificação online do conhecimento. Basta ter presente a pandemia causada pelo Coronavírus e a guerra na Ucrânia, acompanhadas diariamente em tempo real. São situações que trazem consequências para todo o planeta. São a expressão do quanto estamos conectados e interdependentes uns dos outros (HARARI, 2019). Com dados de 2020, constata-se que em 1 minuto, são enviados 190 milhões de e-mails, 4,1 milhões de buscas no Google, 4,7 milhões de vídeos no yotube são assistidos, 59 milhões de mensagens no Messenger e WhatsApp. É a exponenciação de conteúdos e informações produzidos e consumidos instantaneamente, em uma concentração de tempo cada vez menor, com acesso fácil para qualquer pessoa.
Esta realidade gera Mediamorfose humana, na qual percebe-se uma reorganização, uma transformação daquilo que caracteriza o ser humano, especialmente as relações humanas e a humanidade, na inter-relação com lógicas e dinâmicas mediáticas, principalmente digitais, que caracterizam a comunicação contemporânea (SBARDELOTTO, 2012). Assim a sociedade hiper conectada está intrinsecamente ligada ao uso da tecnologia, que sempre existiu, porém, atualmente, a ciência avança para possibilidades nunca imagináveis em todas as áreas, especialmente a Inteligência Artificial e os Sistemas Tutores Inteligentes (CIEB,2019). Este contexto gera mudanças, da Sociedade da disciplina para a sociedade do cansaço (HAN, 2018), caracterizada pela insegurança e incerteza, pelo constante desempenho e pela “hipervalorização da correria”, dentre outras.
O professor/a responderá à sua missão na medida em que, em suas relações e no seu fazer educação, terá presente o Novo Humanismo proposto pelo Magistério da Igreja. O humanismo digital integral e da ecologia bem como o das mídias digitais será promovido a partir das contribuições positivas das lógicas digitais e o reconhecimento dos seus limites, no desenvolvimento do ser humano como um todo, no respeito à sua dignidade e consciência pessoal, sem discriminação nem exclusão e na busca do bem comum.
No humanismo digital integral o importante são as relações centradas no outro humano, ou seja, integrar, dialogar e gerar. O Pacto Educativo Global, a CF2022, os Relatórios da UNESCO e a caminhada de sinodalidade de nossa Igreja, são fontes inspiradoras na superação dos desafios de nosso tempo. Enfim, viver como cristãos/ãs, homens e mulheres de fé e de esperança para, no encontro pessoal e comunitário com Jesus, conjugar hoje o verbo ESPERANÇAR.
Referências
CIEB Centro de Inovação para a Educação Brasileira, notas técnicas, nov 2019
HAN, Byung-Chul. Sociedade da disciplina para a sociedade do cansaço, Vozes, 2018
HARARI, Yuval. Homo Deus: Uma breve história do Amanhã, Companhia das Letras, 2016
GUIMARAES, Joaquim Mol. O novo Humanismo, Paulus, 2022

