A infância é um período de descobertas, crescimento e desenvolvimento, onde cada criança embarca em uma jornada única e pessoal. Partindo desse pressuposto, é preciso compreender que a criança é um sujeito histórico e de direitos que nas suas interações, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, constrói sentidos e produz culturas (DCNEI, 2010, p. 12). Isso significa que a forma como enxergamos as crianças não é algo inerente a elas, mas é construído e influenciado pelos valores, costumes, tradições e normas sociais da comunidade em que está inserida.
Nesse sentido, por ser a primeira instituição social na vida da criança, a família desempenha um papel crucial na promoção do desenvolvimento saudável e na preservação da singularidade de cada infância. Neste contexto, é fundamental reconhecer e valorizar as características intrínsecas da criança, tais como a brincadeira, o faz de conta, a criatividade, as descobertas e o lugar teológico que lhe é próprio. Além disso, a família tem a função determinante de cultivar valores fundamentais, como respeito, amor, diálogo, cooperação, honestidade, através de uma presença significativa e do respeito ao espaço-tempo da criança.
É essencial que os adultos compreendam que as crianças não apenas absorvem, mas também produzem e reproduzem cultura, hábitos, sentimentos e comportamentos a partir das relações estabelecidas, principalmente no ambiente familiar, onde passam a maior parte do tempo. As famílias são indispensáveis na garantia de uma infância bem-vivida para as crianças, pois exercem grande influência sobre o desenvolvimento moral e espiritual, como afirmam Moreira e Silva (2015, p. 2), “a criança aprende a partir do que absorve dos adultos ao seu redor, e essa aprendizagem pode ser positiva ou negativa”.
A convivência familiar é o solo fértil onde os primeiros aprendizados cristãos são cultivados, sobretudo a espiritualidade. É por meio das interações diárias e dos exemplos vivenciados que as crianças absorvem e internalizam os valores que irão orientar suas atitudes e escolhas ao longo da vida. Desde os gestos mais simples até as conversas mais profundas, cada interação familiar é uma oportunidade de plantar as sementes dos valores já mencionados, além de estimular a prática do bem e as virtudes da vida cristã, sempre considerando que “a criança constitui um dos sujeitos ou meio do qual Deus se revela e nos convida a relação consigo” (Evangelização com as Infâncias no Brasil Marista, p. 27).
No contexto da evangelização das infâncias, a família precisa ter consciência de que faz parte do processo catequético e evangelizador, e que é extremamente importante a parceria e mediação nos ensinamentos, na religiosidade, na participação nas missas, pois como principal referência para as crianças, tem todo o aporte para fornecer apoio, exemplo e influência.
Além do cultivo de valores, a família também contribui de maneira significativa na promoção de um ambiente oracional em casa, estimulando a oração diária, interagindo com o itinerário catequético, vivenciando e acompanhando todas as atividades propostas com as crianças, uma vez que, a ausência do apoio familiar resulta em lacunas e carências que a Pastoral, por mais esforços que empregue, não consegue preencher.
Conclui-se esta reflexão, destacando a relevância da Pastoral em sua missão social e evangelizadora, bem como a necessidade de diálogo, união e cooperação entre essa instância e a família. É por meio dessa parceria que as crianças podem vivenciar uma evangelização integral, recebendo apoio em todas as dimensões sociais, afetivas, cognitivas e transcendental.

