Voluntariado e aprendizagem-serviço: caminhos para uma pastoral escolar em saída

Voluntariado e aprendizagem-serviço: caminhos para uma pastoral escolar em saída

O voluntariado juvenil é uma prática que tem ganhado destaque nas últimas décadas, envolvendo jovens em atividades de caráter solidário e comprometido com o bem-estar da sociedade. Uma abordagem específica dentro desse contexto é a aprendizagem-serviço, que combina a participação voluntária com o aprendizado significativo e a aquisição de habilidades e conhecimentos úteis.

A aprendizagem-serviço ou learning service é uma metodologia educacional que busca aliar o ensino formal à prática de serviço à comunidade. Essas atividades envolvem os participantes enfrentando necessidades reais em seu contexto, o que proporciona uma experiência de aprendizado significativa.

A ApS não é uma metodologia recente e tem sido concebida como uma inovação educacional que integra elementos conhecidos, como o serviço voluntário, dentro do currículo acadêmico. Ela visa não apenas ao sucesso individual, mas também ao compromisso social, buscando formar alunos competentes que sejam úteis para os outros e capazes de transformar a realidade em que vivem. 

Essa abordagem tem ganhado destaque como uma maneira de estimular a participação e a mobilização social entre os jovens, promovendo a aprendizagem enquanto contribui para o bem-estar da comunidade. Além disso, a ApS tem se expandido internacionalmente, especialmente na América Latina, onde diversos países têm incorporado políticas de aprendizagem-serviço em seus sistemas educacionais e instituições, visando desenvolver habilidades cívicas e promover o engajamento dos estudantes na comunidade. 

Nesse modelo, os jovens são incentivados a se envolverem em projetos que beneficiam grupos vulneráveis, como idosos, crianças, pessoas em situação de rua, entre outros. Ao realizar atividades de voluntariado, eles adquirem experiências valiosas que vão além do conhecimento teórico, desenvolvendo empatia, senso de responsabilidade social, trabalho em equipe e habilidades de liderança.

A prática do voluntariado juvenil, baseada na aprendizagem-serviço, está diretamente relacionada às competências gerais estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Essas competências são habilidades, conhecimentos e atitudes que os estudantes devem desenvolver ao longo de sua trajetória educacional, visando à formação integral e à preparação para a cidadania ativa. Vejamos como o voluntariado juvenil se relaciona com algumas das competências gerais da BNCC:

  1. Competência 2 – Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética: A prática do voluntariado pode envolver o uso de tecnologias digitais para divulgar ações, mobilizar recursos, realizar campanhas de arrecadação, entre outras atividades. Os jovens voluntários têm a oportunidade de desenvolver habilidades digitais, ao mesmo tempo em que refletem sobre o uso ético e crítico dessas tecnologias.
  2. Competência 3 – Pensar criticamente, de forma criativa, resolver problemas e tomar decisões com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários: O voluntariado juvenil requer habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas. Os jovens são desafiados a identificar necessidades da comunidade, planejar ações, encontrar soluções criativas e tomar decisões fundamentadas em princípios éticos, como a solidariedade e o respeito ao próximo.
  3. Competência 5 – Compreender, utilizar e criar linguagens artísticas, científicas e digitais: O voluntariado oferece oportunidades para os jovens explorarem diversas formas de expressão, como música, artes visuais, fotografia, produção de conteúdo digital, entre outras. Eles podem criar materiais de conscientização, registros audiovisuais das ações voluntárias e até mesmo utilizar a arte como ferramenta de transformação social.
  4. Competência 6 – Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade: O voluntariado juvenil permite que os estudantes entrem em contato direto com a realidade social, cultural e econômica de sua comunidade. Eles têm a oportunidade de compreender as demandas e os desafios locais, explorar as causas dos problemas e buscar soluções contextualizadas, a partir dos conhecimentos adquiridos.
  5. Competência 7 – Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas: O voluntariado juvenil promove o autoconhecimento e a consciência das próprias emoções, à medida que os jovens se envolvem em experiências de solidariedade e empatia. Além disso, ao interagir com pessoas diversas, eles desenvolvem a capacidade de se relacionar com o outro, praticando a escuta ativa, a empatia e o respeito à diversidade.

Essas são apenas algumas das formas pelas quais a prática do voluntariado juvenil se relaciona com as competências gerais da BNCC. O voluntariado não apenas complementa o desenvolvimento acadêmico dos estudantes, mas também contribui para a formação de cidadãos conscientes, responsáveis e comprometidos com o bem-estar coletivo.

Voluntariado nas escolas católicas

No contexto das escolas católicas, a prática do voluntariado juvenil pode ser relacionada diretamente aos valores cristãos. A doutrina cristã enfatiza a importância de amar e servir ao próximo, seguindo o exemplo de Jesus Cristo. Ao incentivar os jovens a se envolverem em projetos de voluntariado, as escolas católicas estão proporcionando uma oportunidade concreta para que eles vivenciem esses valores em suas vidas cotidianas.

O serviço aos outros é um dos princípios fundamentais do cristianismo, e o voluntariado juvenil oferece uma maneira prática de colocar esse princípio em ação. Ao se engajar em atividades voluntárias, os jovens têm a oportunidade de vivenciar a compaixão, a solidariedade e a generosidade, valores centrais da fé cristã. Além disso, eles também aprendem a valorizar a dignidade e a igualdade de todos os seres humanos, independentemente de sua origem social, cultural ou religiosa.

Diante dessa perspectiva, é importante que as escolas católicas incentivem e organizem grupos de jovens voluntários. Esses grupos podem ser formados por estudantes interessados em dedicar parte de seu tempo a causas sociais, com o apoio e orientação dos professores e líderes religiosos. A escola pode identificar projetos de voluntariado que estejam alinhados com sua missão educacional e promover a integração dessas atividades ao currículo escolar.

Aqui estão cinco dicas práticas para as escolas católicas organizarem e sistematizarem a prática do voluntariado:

  1. Identificar áreas de necessidade: Comece identificando áreas de necessidade na comunidade local ou região em que a escola está inserida. Pode ser um asilo, uma creche, um abrigo para pessoas em situação de rua, entre outros. Isso permitirá que a escola direcione os esforços dos jovens voluntários para causas concretas e relevantes.
  2. Estabelecer parcerias: Procure estabelecer parcerias com organizações e instituições locais que já estejam envolvidas em atividades de voluntariado. Essas parcerias podem oferecer suporte técnico, orientação e até mesmo oportunidades específicas de voluntariado. Além disso, essas organizações podem ajudar a identificar necessidades emergentes na comunidade.
  3. Criar grupos de voluntários: Organize grupos de jovens voluntários na escola, incentivando os estudantes a se inscreverem e se comprometerem com o serviço comunitário. Estabeleça líderes para cada grupo e defina uma estrutura para as atividades, como cronogramas regulares de voluntariado, reuniões para planejamento e avaliação, e definição de responsabilidades individuais.
  4. Integrar o voluntariado ao currículo escolar: Integre o voluntariado ao currículo escolar, buscando maneiras de relacionar as atividades de serviço com as disciplinas acadêmicas. Os professores podem explorar as experiências dos alunos em sala de aula, incentivando reflexões sobre os desafios encontrados, aprendizados adquiridos e os valores cristãos vivenciados no processo. Isso ajudará a enriquecer o aprendizado dos alunos e a promover uma conexão significativa entre teoria e prática.
  5. Oferecer orientação e formação: Proporcione aos jovens voluntários orientação adequada e formação contínua. Isso pode incluir palestras, workshops, treinamentos e sessões de partilha de experiências. Além disso, os professores e líderes religiosos devem estar disponíveis para orientar os alunos, auxiliando-os na reflexão sobre as experiências de voluntariado e na compreensão dos valores cristãos relacionados ao serviço aos outros.

Ao organizar grupos de jovens voluntários, as escolas católicas estão fornecendo uma oportunidade única para que os estudantes desenvolvam um senso de responsabilidade social, compreendam as necessidades de sua comunidade e se engajem ativamente na promoção do bem comum. Além disso, essa prática reforça a identidade católica da escola, ao oferecer aos alunos uma experiência concreta de vivência dos valores cristãos.

Em suma, o voluntariado juvenil relacionado à aprendizagem-serviço é uma prática enriquecedora que combina o envolvimento dos jovens em projetos sociais com a aquisição de conhecimentos e valores importantes. Nas escolas católicas, essa abordagem pode ser especialmente relevante, pois permite que os jovens vivenciem os ensinamentos cristãos de amor ao próximo e serviço aos mais necessitados. Portanto, é recomendável que as escolas católicas incentivem e organizem grupos de jovens voluntários, promovendo assim uma formação integral e comprometida com o bem-estar da sociedade.

Autoria:

Gregory Rial