O portão do Colégio abriu, e com ele ecoaram passos e vozes para o pátio, os corredores e as escadas. Dos corredores de acesso ao ensino, até as escaladas das aprendizagens diárias das relações, é perceptível que a espiritualidade é a mola propulsora dos espaços educacionais católicos. É dessa ambiência educativa que me refiro, do portão de entrada até aos mais diversos espaços do cotidiano escolar, que se pode semear valores sobreviventes nos colégios confessionais católicos. Acima de competências, habilidades e atitudes, os valores referenciais e a espiritualidade alicerçam ações e reflexões sobre comportamentos negligenciados na sociedade.
O sinal que retumba o horário, pode trazer além da disciplina e do comprometimento com o tempo designado, a chegada de um conflito, uma dor, um grito, uma perda ou um silêncio de medo e solidão. Entre os passos da criança e do adolescente, há um mosaico de sentimentos e emoções que em situações desafiadoras busca escuta empática, afeto, paciência e acolhimento. Esses componentes, contribuem para que os colégios católicos tornem-se um diferencial, cujo projeto político pedagógico integraliza o exercício da pastoralidade.
A Pastoral Escolar amplia o leque da espiritualidade, incorporando valores imprescindíveis para o convívio no espaço coletivo, principalmente nos últimos tempos, quando a saúde mental evidencia um alerta às famílias e toda comunidade educacional.
Dos passos lentos ou ágeis peregrinados nos corredores, a pastoral pode disseminar orações silenciosas em pensamento, um abraço fraterno, uma mediação de conflitos. Da mesma forma, adentrar numa sala e lançar reflexões sobre a importância da empatia, o respeito às diferenças e gratidão pela vida. A chave para abrir a maçaneta dessa missão, pode estar justamente nesse olhar cuidadoso e acolhedor com o outro, com aquele que é ou que faz escolhas diferentes, inclusive de religião.
A espiritualidade é algo que transcende o entendimento maior do que é sagrado e da fé, pois os elementos podem distinguir de um lugar para outro. Nesse sentido, vale considerar que o silêncio é primordial para um mergulho profundo de conexão com Deus. Visto que, é só quando estamos preenchidos do amor de Deus que podemos pulverizar gotas de orações, arquitetar celebrações e vivências, deixando exalar no “perfume do conhecimento”, a essência do catolicismo.
Quando as ondas das provações são turbulentas, os joelhos se dobram, mesmo que internamente, e a espiritualidade transforma-se em oxigênio para a alma. Que assim seja.
Foto de Luis Georg Müller na Unsplash

Doutoranda em Educação (UFSC). Coordenadora da Pastoral Escolar do Educandário Imaculada Conceição (EIC)



