O currículo evangelizador na raíz da missão cristã

O currículo evangelizador na raíz da missão cristã

Pensar em um projeto educativo consiste em tecer subsídios para um – e muitos – projetos de vida. Não devemos ser ingênuos em pensar que a ação pedagógica da escola tem estreita relação com a formação da pessoa humana, que, portanto, torna a missão da educação católica ainda mais importante nos tempos que vivemos.

Um projeto educativo pastoral deve ampliar as demandas curriculares comuns, tornando o currículo um espaço de respeito, que abrace o diálogo como um modo de vida, que leve a novas descobertas de nós mesmos e de outros. 

Aqui encontramos um diferencial da educação católica. Em sua própria missão vai se criando as condições para que os estudantes desenvolvam não apenas as habilidades intelectuais, mas que promovam os sentidos dos valores. Não se trata apenas de transmitir conteúdos, mas de formar integralmente a pessoa, considerando sua abertura ao transcendente, sua capacidade de amar, de servir e de se comprometer com o bem comum.

No documento Linhas de Ação Pastoral da ANEC para as Escolas Católicas (2025-2030), sem estabelecer uma hierarquia entre os pontos apresentados, mas reconhecendo sua relevância, logo após o primeiro horizonte — o da identidade sólida, que propõe tornar a pastoral escolar parte integrante do projeto pedagógico — surge o segundo horizonte, e é aqui que me prendo: a Integração Pedagógico-Pastoral. Se, em um primeiro momento, afirma-se a importância de consolidar a identidade, em seguida somos convidados a dar um passo além: tornar esse processo concreto e visível no cotidiano escolar.

Essa integração só é possível quando existe um currículo verdadeiramente evangelizador. Não se trata de acrescentar momentos isolados de espiritualidade, mas de permitir que os valores do Evangelho permeiam as práticas pedagógicas, as relações, os projetos e as decisões institucionais. O desenvolvimento desse currículo exige uma articulação constante entre toda a comunidade escolar. Ele passa pela direção, pelos professores, pelos estudantes e pelas famílias, pois todos são corresponsáveis pela missão educativa.

A cada dia, enquanto professor e pastoralista, me convenço que a integração pedagógico-pastoral precisa ser percebida nas pequenas escolhas diárias: na forma como se conduz uma aula, na maneira como se resolvem conflitos, na escuta atenta aos estudantes e no compromisso com a justiça e a solidariedade. O espaço de aprendizagem técnica, que é muito importante, é transcendido quando a fé dialoga com o conhecimento, se tornando um verdadeiro lugar de formação humana e espiritual.

Além disso, essa proposta desafia os educadores a revisitar suas próprias práticas e motivações. Na obra itinerários formativos para Educadores (2023) da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação, traz a seguinte frase que desejo trazer na íntegra aqui: “Encontrar tal sentido espiritual para o trabalho do educador implica em reconhecer três consequências: primeiro, de que a educação nos permite seguir melhor a Cristo; segundo, de que a educação nos permite servir melhor ao Reino de Deus e à Igreja; terceiro, de que a educação é um caminho de realização pessoal.” Integrar pedagogia e pastoral é assumir que ensinar também é um ato de cuidado, de testemunho e de coerência. Não basta falar de valores cristãos; é necessário vivê-los no cotidiano da escola, construindo uma cultura institucional que reflita o Evangelho nas atitudes e nas relações. Trata-se de um projeto de vida.

Por fim, concluo essa reflexão reiterando que a integração pedagógico-pastoral aponta para uma educação que forma sujeitos críticos, conscientes e comprometidos com a transformação da sociedade. Unindo fé e razão, escola e comunidade, conhecimento e espiritualidade, a educação católica reafirma sua vocação de ser presença significativa no mundo contemporâneo, oferecendo não apenas formação acadêmica de qualidade, mas também sentido, esperança e direção para a vida e para a melhoria da nossa sociedade.

Diego Garcia
Concursado na rede pública estadual do estado do Paraná e professor e coordenador de Pastoral no Colégio Nossa Senhora da Glória, da Rede das Irmãs Escolares de Nossa Senhora. Atua como professor de filosofia, já estando em sala de aula como professor de Projeto de Vida e música. Já participou em diversos movimentos da Igreja, estando atualmente junto à coordenação da pastoral da Educação da Diocese de Palmas- Francisco Beltrão.

Autoria:

Diego Garcia

28 anos, professor há 6 anos. Concursado na rede pública estadual do estado do Paraná e professor e coordenador de Pastoral no Colégio Nossa Senhora da Glória, da Rede das Irmãs Escolares de Nossa Senhora. Atua como professor de filosofia, já estando em sala de aula como professor de Projeto de Vida e música. Já participou em diversos movimentos da Igreja, estando atualmente junto à coordenação da pastoral da Educação da Diocese de Palmas- Francisco Beltrão.